Meus Contos
Os trancos da vida
Acostumados com os trancos dessa vida
Ser enganado, caçoado, se limpar na briga
Levantar sozinho, se livrar dos espinhos e sacudir a poeira
Achei que nessa vida não tinha mais o que me derrubasse
Que me despojasse da coragem de enfrentar a fogueira
Assim fui vivendo de dia em dia, na tristeza e alegria
Sempre escondendo o choro pra não mostrar fraqueza
Mais sentindo a moleza dentro do coração
Desde pequeno que só chorei escondido
Mais de raiva de não ter vencido
Camuflando a decepção
Criança filho de pobre engraxate de praça
Não achava graça em empinar uma pipa
O meu pensamento já era o tormento
De fazer pra comer
Assim desde menino mesmo inseguro
Fui fazendo o futuro que Deus me permitiu
Conseguir por merecer.
Mas se a água amolece pedra dura
Olha que desventura eu tinha que passar
Coração endurecido, já homem crescido
Meus olhos se foram molhar
Por ter apanhado? Qual o quê
Pra me fazer isso, ainda ta pra nascer
Foi por uma paixão, que meu coração
Resolveu amolecer
Eu estava sossegado, carrancudo
E mal encarado.
E der repente, meus olhos tristes
Secos e arregalados
Acabou por ver que existe
Razão melhor pra viver
Foi quando andando na rua
Em baixo do raio da lua
Que eu fui encontrar você
Dali pra frente sem saber como falar
Eu fiquei incomodado
Como é que a lembrança de um rosto bonito
Me deixou todo aflito com jeito de ter chorado
Ah se você quer saber se está apaixonado
É só ver se está desmiolado
Sentindo pela primeira vez vontade de chorar.
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